sexta-feira, 20 de maio de 2016

Alguém quer comprar um carro de bébé?

Acabei de lavar o carro de bébé do meu Zé. Foi apenas dele, o dos irmãos já estava um pouco estragado e decidimos por outro. Estava ali a um canto, sem uso, na esperança de uma nova oportunidade (a vida está muito difícil e já temos três filhos fantásticos).
Quando vou pendurar no estendal a capota, a Margarida pergunta:
- "O que é isso?"
- " Já sei, vamos ter mais um irmão!!!" - disse o Zé.
Aprecei-me a dizer que não, que estava apenas a lavá-lo, que não temos muito dinheiro para tudo o que um bébé precisa.
- "Que pena, nunca vi um bébé nascer!" - disse o Zé (eu penso que ele queria dizer que nunca teve um mano bébe, é o mais novo).
Margarida remediou a situação dizendo:" A mãe não pode. Vi na televisão que as mulheres que tem mais de 40, podem ter bébés com deficiências." E pronto, assunto encerrado.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Obrigada miúda do mesmo signo :)

Numa conversa banal com a minha colega de trabalho Carina, comentava que se me tinha acabado o creme de dia e, que estava a usar o creme de noite. Generosamente, no dia seguinte ela traz-me estes dois produtos. Pensei que já seriam dela, que já estivessem abertos mas não. Quando cheguei a casa e os fui ver melhor emocionei-me pela sua atitude. Não me esqueço de quem me faz o bem. Acho que é por isso que sou uma pessoa feliz. Estão sempre a acontecer-me coisas boas.




Pablo Neruda

A minha amiga Fátima enviou-me umas mensagens pelo facebook. Este poema estava lá e lembrou-me o malvado do indiano.

 O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Como é bela a puta da vida

Hoje ao procurar umas fotos no facebook, deparei-me com esta que me é tão especial e com o texto que escrevi. Apetece-me deixá-lo aqui mesmo que seja apenas pela lembrança fantástica.

"Decidimos ir passear. Afinal, os últimos tempos, não tem sido fáceis e, os miúdos até tinham ido passar o fim de semana à casa da avó. Fomos. Decidimos ir ao sabor do vento, sem pressas, sem correrias. Apreciar, o que de melhor tem o nosso país. A natureza, o campo, o verde, a gastronomia. Eu tinha em mente um passeio à beira-mar, seguido de uma ida à feira do livro pois iria estar presente, um dos meus escritores favoritos, o MEC, Miguel Esteves Cardoso. O Emanuel trocou-me as voltas. Se era para ser um passeio tranquilo, o melhor seria ficarmos pela costa atlântica, pelas paisagens de cortar a respiração, pelo mar sempre a acompanhar a nossa vista.
Sabe-se lá porquê, da Ericeira seguimos para a Praia das Maçãs, local onde almoçámos. E que bem que soube e que fresca estava a sangria. Apesar de tudo à volta ser encantador e saboroso, eu pensava no bulício de Lisboa, nas bancas cheias de livros, no tocar nos livros, no folhear. Pensava no livro que tinha ali, na minha mala, que não iria ser assinado por ele, que não conseguiria dizer-lhe o quanto me emocionam as suas palavras, o quanto me fazem rir, o quanto me fazem pensar. Mas eis, que ao olhar uma vez mais lá para fora, vejo-o sair do restaurante que ficava mais abaixo. “Emanuel”- gritei- “Olha só quem ali está!!!”. Ele e a sua Maria João. Amor da sua vida. Pensei correr com o livro na mão. Explicar-lhe que não estaríamos presentes pois estávamos a aproveitar a ausência dos filhos, dos dias normais, dos dias em que andamos sempre em 5ª…mas não, não corri. Fui politicamente correcta e fiquei ali a vê-lo partir e a pensar como é linda a puta da vida.
Almoçámos. Tentei apressar o Emanuel, sem ele se aperceber. Saltámos a sobremesa, passámos logo para o café. Se o tinha visto ali, era um sinal. Ficaria arrependida se não fosse. Também tínhamos tido tanta tranquilidade até ali, tanta lanzice até no conduzir. Porquê não ir até à nossa maravilhosa capital, sentir cultura, respirar cultura? Resmungou um pouco quando lhe expliquei tudo isto. Resmungou pouco. Percebeu que era importante para mim. Fomos.
Que lindo que é o caminho da Praia das Maçãs até Sintra. Leva-me sempre até ao Eça de Queiróz e a tantos escritores que por aquelas paragens andaram. Finalmente Lisboa. Depressa. Corremos. Procurámos o stand da Porto Editora. Fila. Muitas pessoas. Esperámos. Esperámos tranquilos. Hora e meia depois, eis-nos à conversa, a rir-mos juntos, a trocar-mos emoções juntos. Foi tão bom conhecer o MEC pessoalmente. Não é muito diferente dos livros. É ele. Genuíno, verdadeiro, apaixonado, acutilante.
Regressámos a casa como partimos. Tranquilos e felizes."