sexta-feira, 31 de julho de 2015

O IMPORTANTE É ESTARMOS TODOS JUNTOS

Tinhamos decidido que a nossa 1ª semana de férias seria em Sesimbra. Não conhecíamos a zona mas as praias de mar tranquilo chamaram-me a atenção e lá fomos nós. Todos contentes atravessámos a ponte 25 de Abril e lá perguntei eu: “Qual é o rio que estamos a ver?”, “ E o Cristo Rei? Estão a vê-lo tão grande, tão alto?”. A viagem faz-se rapidamente e num instante estamos diante da rotunda que indica que Sesimbra está perto. Seguimos e poucos kilometros depois, descemos e vemos uma praia maravilhosa, de àguas tranquilas. Ficámos encantados mas ainda tínhamos de assentar arraiais. Toca a subir até ao parque de campismo Forte do Cavalo. Como precisávamos de electricidade, tivemos de ir pra lugares que ficavam no topo do parque, o que implicava mais vento e a dureza do terreno para conseguir colocar as estacas. Metemos logo mãos à obra pois o que mais desejávamos era mergulhar naquelas àguas cristalinas o mais rapidamente. A tarefa mostrou-se mais complicada do que pensávamos. O chão era extremamente duro - antigamente aquele local era para caravanas – algumas estacas entortaram ao tentarmos fixá-las no chão, um dos cabos da tenda partiu-se mas lá conseguimos. Eu olhava para as outras tendas e dizia para o Emanuel: “ A nossa tenda está só a abanar parece que não está suficientemente esticada. As outras estão impecáveis! Se calhar, é melhor perguntar na recepção onde podemos comprar estacas mais fortes.”. O Emanuel lá foi e regressou passado pouco tempo com 10 estacas, alugadas pelo parque a 20 cêntimos por dia. Tarefa terminada, cheios de calor, fomos colocar os nossos pezinhos na areia que era finíssima – que estranho, nós que estamos habituados à areia rugosa da praia de Porto Novo – e atirámo-nos para a àgua. Os miúdos divertiam-se bastante, sempre a entrar e a sair da àgua. Quis tirar umas fotos mas pensei melhor e decidi aproveitar a tarde de praia, afinal tínhamos uma semana pela frente. Pousei a máquina na toalha. Fiquei a observar a alegria dos miúdos, o encantamento deles, a ver a paisagem, a observar as outras pessoas quando uma lufada de ar mais forte tenta arrancar o chapeu de sol, voa a boía, areia por todo o lado e, nisto levanto-me da toalha a tentar recuperar as coisas, quando a máquina cai na areia. Tentei tirar a areia, soprar mas nada. Como é que eu agora ia captar os nossos momentos felizes? Como?
Deveríamos ter ficado menos tempo na praia pois quando vimos a nossa tenda a abanar tanto percebemos que a noite não ia ser agradável. O Emanuel foi preparar o jantar, eu dei banho aos pequenos, fiz as camas. O tempo não melhorava, o vento não abrandava. Jantámos dentro da tenda. Eu, e os mais pequenos fomos logo dormir. O Emanuel foi com o Diogo ao bar do parque. Deitados dentro da tenda ainda se tornava mais assustador o zumbir do vento. Valeu-me que o Zé adormeceu num instante tão cansado que estava das brincadeiras na àgua. Percebi logo que não ia ser uma noite nada fácil. Mal o Emanuel chegou disse-lhe: “ Se amanhã de manhã o vento não tiver abrandado temos de ir embora. Não podemos ficar aqui nestas condições com os miúdos”. Foi a noite mais longa da minha vida. Julgo que não preguei o olho. O vento teimava em “atacar” a nossa tenda que se contorcia de um lado para o outro. Tive imenso medo. Só pensava que a poucos metros tínhamos o mar e se… Confesso que rezei mais naquela noite do que num ano inteiro. Finalmente a manhã. Os miúdos dormiam. Fiquei à espera de ouvir o Emanuel a levantar-se. Ouvi o zip do fecho a deslizar, que alívio estávamos todos bem! Concordámos que seria melhor partir. Eu estava com uma dor de cabeça terrível pois no dia anterior não tinha bebido café e ouvir aquele vento a noite toda não ajudou nada. Desfizemos a tenda, arrumámos tudo novamente no carro e deixámos Sesimbra para trás. Apesar de estar super mal-disposta derivado da dor de cabeça disse ao Emanuel:” Vamos ao menos ao cabo Espichel para os miúdos conhecerem a zona”. À medida que nos aproximávamos do cabo eu ficava pior e de repente lembrei-me: “ Ainda não dei os parabéns ao meu Diogo!!!” No meio daquela confusão toda, eu só queria chegar a casa, esticar-me no sofá, tomar Brufen saquetas e ficar boa depressa. Não sou nada de chorar, aguento-me sempre, não gosto de mostrar as minhas fragilidades mas naquele momento não aguentei e as lágrimas começaram a correr pela minha cara. Queria parar mas não conseguia. O Emanuel apercebeu-se e deu-me a mão. “Porque é que estás com essa cara?” Não conseguia responder. Oiço vindo de trás a voz do Diogo: “Mãe, é preciso estares assim por causa das férias?? O Importante é estarmos todos juntos!!!”. Desmoronei naquele momento. “ Desculpa Diogo, a mãe ainda não te deu os Parabéns”. 
Parámos no cabo Espichel, o Emanuel foi comprar um café, avisou-me que estava bastante quente. Enquanto não arrefecia e penso que para me animar ou quiçá distrair-me, começou a contar: “ Estão a ver aquele muro, estão a ver aquela àrvore, quando o pai aqui esteve mandou uma mijadela naquela àrvore!!!” . A imagem daquele momento aterrador fez com que o meu estômago começasse em grande actividade e ali em pleno cabo Espichel vomitei as minhas entranhas e o pouco suco gástrico. Curiosamente, senti-me melhor. A cabeça não doía tanto, o pescoço não estava tão hirto. Ainda deu para passarmos na praia do Meco, na Lagoa de Albufeira e de subirmos ao Cristo Rei. Ao final da tarde, já em casa, fomos celebrar a vida à nossa praia porque O QUE É IMPORTANTE É ESTARMOS TODOS JUNTOS!!!





quinta-feira, 23 de julho de 2015

Riquezas da mãe

    Ontem, quando o Zé e a Margarida chegaram da praia, fui dar-lhes banho. Despachei primeiro o Zé e, quando o fui vestir, ele disse-me: “Então, não é o pijama?”. “ Não Zé, nós vamos ver o Agir”. “És a melhor mãe do mundo. Hoje é o segundo melhor dia da minha vida!”- dizia ele abraçado a mim. “E então qual foi o primeiro melhor dia da tua vida?- perguntei-lhe eu. De pronto, ele sai-se com esta: “Foi o dia em que eu nasci e te vi”.