Deveríamos ter ficado menos tempo na praia pois quando vimos a nossa tenda a abanar tanto percebemos que a noite não ia ser agradável. O Emanuel foi preparar o jantar, eu dei banho aos pequenos, fiz as camas. O tempo não melhorava, o vento não abrandava. Jantámos dentro da tenda. Eu, e os mais pequenos fomos logo dormir. O Emanuel foi com o Diogo ao bar do parque. Deitados dentro da tenda ainda se tornava mais assustador o zumbir do vento. Valeu-me que o Zé adormeceu num instante tão cansado que estava das brincadeiras na àgua. Percebi logo que não ia ser uma noite nada fácil. Mal o Emanuel chegou disse-lhe: “ Se amanhã de manhã o vento não tiver abrandado temos de ir embora. Não podemos ficar aqui nestas condições com os miúdos”. Foi a noite mais longa da minha vida. Julgo que não preguei o olho. O vento teimava em “atacar” a nossa tenda que se contorcia de um lado para o outro. Tive imenso medo. Só pensava que a poucos metros tínhamos o mar e se… Confesso que rezei mais naquela noite do que num ano inteiro. Finalmente a manhã. Os miúdos dormiam. Fiquei à espera de ouvir o Emanuel a levantar-se. Ouvi o zip do fecho a deslizar, que alívio estávamos todos bem! Concordámos que seria melhor partir. Eu estava com uma dor de cabeça terrível pois no dia anterior não tinha bebido café e ouvir aquele vento a noite toda não ajudou nada. Desfizemos a tenda, arrumámos tudo novamente no carro e deixámos Sesimbra para trás. Apesar de estar super mal-disposta derivado da dor de cabeça disse ao Emanuel:” Vamos ao menos ao cabo Espichel para os miúdos conhecerem a zona”. À medida que nos aproximávamos do cabo eu ficava pior e de repente lembrei-me: “ Ainda não dei os parabéns ao meu Diogo!!!” No meio daquela confusão toda, eu só queria chegar a casa, esticar-me no sofá, tomar Brufen saquetas e ficar boa depressa. Não sou nada de chorar, aguento-me sempre, não gosto de mostrar as minhas fragilidades mas naquele momento não aguentei e as lágrimas começaram a correr pela minha cara. Queria parar mas não conseguia. O Emanuel apercebeu-se e deu-me a mão. “Porque é que estás com essa cara?” Não conseguia responder. Oiço vindo de trás a voz do Diogo: “Mãe, é preciso estares assim por causa das férias?? O Importante é estarmos todos juntos!!!”. Desmoronei naquele momento. “ Desculpa Diogo, a mãe ainda não te deu os Parabéns”.
Parámos no cabo Espichel, o Emanuel foi comprar um café, avisou-me que estava bastante quente. Enquanto não arrefecia e penso que para me animar ou quiçá distrair-me, começou a contar: “ Estão a ver aquele muro, estão a ver aquela àrvore, quando o pai aqui esteve mandou uma mijadela naquela àrvore!!!” . A imagem daquele momento aterrador fez com que o meu estômago começasse em grande actividade e ali em pleno cabo Espichel vomitei as minhas entranhas e o pouco suco gástrico. Curiosamente, senti-me melhor. A cabeça não doía tanto, o pescoço não estava tão hirto. Ainda deu para passarmos na praia do Meco, na Lagoa de Albufeira e de subirmos ao Cristo Rei. Ao final da tarde, já em casa, fomos celebrar a vida à nossa praia porque O QUE É IMPORTANTE É ESTARMOS TODOS JUNTOS!!!




